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quarta-feira, março 02, 2011

Primeiro Cap - 1997 (parte cinco)

Elizabeth está deitada no sofá assistindo televisão enquanto sua Mãe está na cozinha preparando a janta para a família, hoje é sexta-feira e o Beto, pai de Elizabeth, chega do Rio de Janeiro onde estava tratando os últimos ajustes para a mudança. Elizabeth ainda não lidava bem com a ideia, mas seus pais sempre acharam que seu único motivo era a amizade com Marcos e não sabiam que a menina estava apaixonada.
Era bem tarde, mas o telefone tocou. Eliane atendeu ao telefone e era Marcos pedindo para falar com Elizabeth, a menina se levantou e atendeu agradecendo a mãe, porém quando ouviu o que o amigo tinha dizer não pode acreditar.

Não! Não! Para com esse papo, parece que não me conhece. Não precisa disso! Marcos eu vou ai, calma, não fala isso. Mãe posso ir à casa do Marcos? “Pera” amigo, Mãe, responde!

Do outro lado da linha, Marcos com lagrimas nos olhos desligava o telefone e com o Diário de Elizabeth na mão ele descobriu que nunca devia ter lido aquele caderno. Porém Elizabeth não sabia exatamente o que acontecia, para ela Marcos estava triste com aquilo o que ela disse a ele no parque, sua mãe não a deixou sair e logo seu pai entrava em casa sorrindo e contando as novidades.
Eliana havia preparado uma refeição perfeita, porém Elizabeth com um beijo em seus pais se despedia para subir ao seu quarto, ela olhou pela varanda para fora e olhando novamente para sua cama ela decide que essa noite não esperaria por ele e precisava dormir um pouco. Ligou o radio bem baixinho e se deitou.

Oh, life is good, Oh, life is good, Oh, life is good...
As good as you wish!

Do lado de fora estava ele, olhando pela varando a menina dormindo, sua face era melancólica e parecia se sentir melhor em estar ali. Caminhou lentamente até a cama da menina e com uma das mãos colocou uma flor sobre a cama, baixinho podia ouvir sua voz dizendo: “Você não precisa ir”.


Primeiro Cap - 1997 (parte quatro)

Elizabeth, Elizabeth... Ousa Elizabeth quer saber a verdade, não quer. Venha Elizabeth ousa e venha ao meu encontro, não tenha medo, não tenha medo do que não vê.

A menina abre os olhos e vê que o sol invade seu quarto pela janela, é impossível levantar, está muito cansada e não se lembra nem mesmo o dia da semana, porem sua mão já procura seu diário que também não lembrava onde teria parado. Elizabeth olhou embaixo da cama e lá estava o caderninho, pegou e logo começou a escrever... Era importante não esquecer.

Duas da manhã ele estava lá, bonito como em meu sonho, minha mão estava gelada e meu coração disparado já sabia que era ele. Como esquecer aquele homem, ele mexia comigo de uma forma especial era intenso e delicado, nunca havia sentido algo se quer parecido, ele é especial e vou procurar novamente por ele e se não o achar vou arrumar um motivo para uma menina de 14 anos caminhar pela praça de madrugada. Não! O meu Deus, qual?
Sou ridícula, uma menininha boba e sem sal nunca encantaria um homem, principalmente como ele, tão encantador. Mas juro, quando eu dormia pode sentir em meu sonho ele me olhando e passava a mão em minha cabeça, acredite, pode sentir e assim estou a pessoa mais feliz do mundo.

Terminando o que estava escrevendo ela saiu do quarto e foi direto para o banho, enquanto isso na porta Eliana atendia Marcos, então pediu para ele esperar ela sair do banho e ela mesma pedia licença para ir ao mercado. Marcos ao ver Eliana sair, corre as escadas e começa chamar por Elizabeth, a menina atende de dentro do banheiro e pede para ele esperar no quarto mesmo. Marcos caminha até o quarto, e meio sem jeito vai entrando e senta em uma poltrona, encontra o diário sobre a cama e pensa na hipótese de ler, mas decide não o fazer.
Com alguns minutos de espera, ele se levanta e abre o caderno em uma página em branco, pega a caneta e escreve algumas palavras e fecha novamente. Com um grito Elisabeth avisa que está quase pronta, e o menino assustado fecha e sai do quarto correndo para corredor. E então se depara com Elizabeth com a toalha nas mãos e o cabelo molhado, a menina nota sim o nervosismo de Marcos, mas abre um sorriso e brinca dizendo que ele estava há atrasando.

Penso se poderia contar a Marcos o meu segredo, seria bom saber sua opinião sobre o que estou sentindo. Mas por outro lado penso que ele não iria entender e se preocuparia, acredite Marcos sempre foi um grande amigo, já me livrou de varias. Por outro lado, é “bonitão” e muito popular, ele saberia me ajudar com seu jeitinho amoroso, me daria “altas” dicas.

Os dois saem de casa para caminhar um pouco, só que Elisabeth não conseguia parar de pensar no homem misterioso e no que ela iria fazer quando estivesse em frente a ele. E em um desses momentos de distração um grupinho de meninas começam a mexer com Marcos e ele meio sem graça tenta ignorá-las, e então que Elisabeth pede que ele não fique assim. Os olhos de Marcos ficam tristes e encontram os dela e então ele tenta falar, mas desiste e sai correndo para casa, a menina não entende, mas o deixa ir.

Mas dessa noite não passa!


Primeiro Cap - 1997 (parte três)

Passava da meia noite e Elisabeth não conseguia dormir, rodava na cama de um lado para o outro, e por fim acendeu a luminária que estava à direita de sua cama e pegou seu diário que estava na segunda gaveta.

Não consigo explicar o que estou sentido, como posso te dizer, eu o vi e agora não posso tirar de meus pensamentos sua imagem. Caminho pela manhã na praça em frente a minha casa e nada dele, falo com os vizinhos, amigos e pessoas que sempre conhecem todo mundo – como a Dona Luisa do 705, uma velhinha que não dorme só para vigiar os vizinhos – e eles nunca sabem nada, não vêem e não ouviram falar. Tentar dormir é impossível, meus sonhos são guardados para você e meu pesadelo acontece enquanto ainda estou acordada, não saber é um tormento.

Eliana ouviu o virar na cama de sua filha e sobe as escadas até o quarto, abre a porta de forma delicada e chama por Elisabeth, a menina pede que ela se retire como sempre e com as mesmas desculpas faz com que a mãe sai sem saber de sua intimidade.

Minha mãe entra sempre com o mesmo papo de “- Você está bem?”, mas se eu contar alguma coisa sobre o assunto a conversa muda e vira “-Você ta louca? Bateu a cabeça, bem que disse...”, é sempre assim. É claro que lembro da primeira vez que Marcos me trouxe em casa, quando sai do carro minha mãe já veio gritando e falando quem era esse, impossível esquecer da vergonha que eu passei, o rosto dele não ficou vermelho mais sim azul de vergonha.
Mas agora é diferente Marcos é meu amigo e rimos disso até hoje, mas este misterioso rapaz que vaga pela noite na praça em frente minha casa é outro assunto. Não sei como dizer, porém vou arriscar dizer que estou apaixonada, não amor, e sim paixão, uma atração adoçada pelo mistério que o ronda.

A menina senta na cama e deixa o diário sobre ela, seu olhar é vago, não parece pensar em mais nada alem do fato de ter admitido para si mesma de estar apaixonada. Então de forma repentina ela levanta e caminha até a varanda de seu quarto, o céu está escuro e há rua pouco iluminada, então suas mãos congelam, seus olhos vêem e não acreditam no que está tão claro para seu coração.
Sim, era ele mesmo que estava lá, sentado em um dos bancos da praça escura com um livro na mão, na verdade que ninguém conseguiria ler naquela escuridão, mas ele estava lá, passivo, como se o tempo não o preocupasse. A menina na sacada estava sem ação, seus olhos não piscavam para não correr o risco de não velo mais e então ela decidiu correr, passou as escadas e tentou abrir a porta, estando trancada então passou pela janela da sala. Saiu como um gato, em um pulo já estava do lado de fora e corria para a praça, mas já não o via isso por que não estava mais lá o misterioso amor da menina.

Não, não, não pode ser. Como pode sumir tão rápido, eu não consigo entender o motivo dele sair correndo, será que tinha algum... Impossível! Ai Esquece! Vou dormir.

Ela volta para o quarto e apaga a luz para dormir, e isso não demora muito, pois já se passava das três da manhã e Elizabeth estava bem cansada. Depois de algum tempo a cortina da varanda se abre, em passos leves um homem entra no quarto e se senta ao lado da cama, a menina acorda ao sentir um carinho na cabeça, porem não vê ninguém, somente mesmo a porta da varanda aberta. Ela se levanta e à fecha, e volta a dormir.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Primeiro Cap - 1997 (parte dois)

A menina naquela mesma noite quando entrou em casa ouviu da cozinha sua mãe reclamando de estar muito tarde e o velho discurso das ruas perigosas, além dos maus elementos que ela dizia estarem por toda parte nos dias de hoje. Mas Elizabeth não deu muita atenção e acenou com a cabeça afirmando tudo o que a mãe a falava, subiu as escadas para seu quarto deixando cair os sapatos de salto pelo caminho, calmamente abriu a porta de seu quarto e caiu na cama olhando para seu teto onde havia um ventilador estragado. 
Foi então que ela olhou para o lado da janela, parou e pensou um pouco, seus olhos brilharam por um minuto e um leve sorriso tomou seu rosto. Levantou da cama e correndo para janela olhou para o toldo onde o homem se abrigava, neste momento a porta de seu quarto abriu e muita assustada a menina deu um pulo e fechou as cortinas de renda, sua mãe olhou com uma feição de nervosismo e pediu para que ela toma-se logo seu banho e tira-se o vestido de festa. 

Aquela noite eu estava muito feliz, o aniversário de Marcos foi tudo que eu esperava. Pessoas legais, bonitas e populares, bons contados e muita música. Arrastei Marcos para uma dança, ele não gostou muito, seu rosto ficou vermelho e ele dava alguns passos duros, porém demos muitas risadas depois que a música parou e fomos comer alguns canapés. Já era depois da meia noite quando decidi ir embora, a festa já havia acabado mas eu e Marcos ainda arrumávamos algumas coisas, ele insistia que eu deveria ficar e dormir ali, e que no outro dia o motorista me levaria, mas muito confiante não achei necessário. 
Marcos se disponibilizou a me levar em casa, mas não achei necessário e questionei a ele se como meus pais ele também achava que os tempos de hoje eram perigosos. Com alguns risos, ele me deixou ir e repetiu sua famosa frase "não sou tão mais velho assim". Já não havia mais ônibus e a rua estava deserta, procurei caminhar mais rápido só que antes de eu se quer chegar em meu bairro começou os primeiros pingos de chuva a baterem no chão, muitos trovões e relâmpagos estalavam do nada, me questionava que "nem notei a chuva começar". Corri para casa, e foi então que vi ele, era alto e me parecia ter 30 anos, mesmo a meia luz não conseguir deixar de notar que era bonito e mesmo com a chuva forte ele sorria, me decepcionei em olhar pela janela depois e não ver ele mais lá, bem que foi um alivio pois acho que minha mãe não estava muito feliz de me ver espiando pela janela aquela hora da noite, "ou será que era impressão minha".

Elisabeth se dirigiu para sua banheira, a água já estava lá, o sabão fazia algumas bolhas cristalinas e ela olhava para banheira com ar de cansaço. Só pode ouvir a porta do quarto bater com força e entender que era sua mãe a mandando tomar banho e ir dormir o mais rápido possível. Depois do banho, já com sua camisola de renda ela apagou as luzes e pegou o Diário debaixo da cama, só com a luz que vinha da janela ela começou a escrever o seus pensamentos, ela acreditava que escrevendo ali ela podia de certa forma, viver para sempre, ser imortal.

Continua ...

domingo, janeiro 30, 2011

Primeiro Cap - 1997 (parte um)

Estamos na cidade de Barra Mansa, o ano é 1997. A noite estava chuvosa quando a jovem Elizabeth atravessava a praça em frente sua casa, era a primeira vez nos seus 15 anos em que ela chegava tão tarde em casa, depois do aniversário 17 anos de Marcos. Enquanto atravessava pode ver escondido abaixo de uma toldo de loja um homem, esse que devia ter seus 30 ou 35 anos, mas rapidamente seguiu para chegar em casa pelo menos antes das 2 da manhã. Abriu o portão e correu para a varanda, sem perceber a menina olha novamente para o toldo aonde o homem se abrigava e lá estava ele, todo encharcado e com aspecto de cansado. Talvez foi nesse momento que Elizabeth transava a teia de seu destino maldito.

Elizabeth era muito conhecida e popular entre seus colegas de escola, seus um metro e setenta escondiam sua pouca idade e seu corpo já bem definido a fazia chamar atenção entre as outras meninas da mesma idade. Marcos era um dos seus poucos realmente amigos, ele era filho de um político muito importante e desde pequeno sempre sofreu muita pressão para ser o melhor, mas mesmo assim era alguem que Elizabeth podia contar, sendo só para sair ou para chorar seus muitos problemas.


Continua ...